O consumo de álcool é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não-transmissíveis, que contribui para os custos econômicos diretos e indiretos aos países e suas populações, considerando as despesas de saúde e as perdas de produtividade às economias.
O presente estudo dá continuidade à metodologia de análise comparativa de risco para estimar os custos diretos e indiretos do consumo de álcool no Brasil, apresentada em 2024. O modelo foi expandido e utilizado para analisar o impacto da redução do consumo de álcool em 10% e 20% no país, tendo como referência o ano de 2019. Segundo as novas estimativas, considerando o consumo ajustado pelas estimativas de mercado da Organização Mundial da Saúde, teríamos 102,3 mil mortes atribuíveis ao consumo de álcool e os custos das mortes prematuras chegariam a R$20,6 bilhões em 2019. As diferenças em relação às estimativas anteriormente apresentadas são explicadas pela desagregação das faixas de consumo, permitindo aferir de maneira mais detalhada a carga epidemiológica e econômica, refletindo as diferenças em pequenas faixas de consumo por idade e sexo.
Nos cenários modelados, a redução de 10% no consumo de toda a população levaria a uma redução de 4,6% na mortalidade atribuível (cerca de 4,6 mil mortes), correspondente à redução de 5,0% nos custos da mortalidade prematura (R$1,0 bilhão) por ano. Enquanto isso, uma redução de 20% no consumo populacional de álcool resultaria em uma redução de 10,3% na mortalidade atribuível (cerca de 10,4 mil mortes), que corresponderia a uma diminuição de 10,1% nos custos (aproximadamente R$ 2,1 bilhões).
Esses resultados indicam a necessidade de fortalecer e ampliar as políticas para o enfrentamento desse problema de saúde pública e podem fomentar a discussão da tributação seletiva de bebidas alcoólicas com vistas a buscar o maior impacto epidemiológico e econômico desta e de todo o conjunto de políticas voltadas para a redução desse fator de risco.
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