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Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer

O relatório Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer apresenta os resultados de um inquérito nacional representativo da população adulta brasileira, com o objetivo de analisar o conhecimento, as atitudes e os comportamentos relacionados à prevenção do câncer. O estudo traz uma análise exploratória das respostas de 6.566 pessoas com 18 anos ou mais, coletadas entre setembro e outubro de 2025. O relatório está organizado em torno de três eixos: (i) percepções gerais sobre o câncer, incluindo conhecimento e experiências da população; (ii) conhecimento sobre seus fatores de risco e proteção; e (iii) fatores comportamentais e condições relacionadas à saúde, como consumo de álcool, alimentação, atividade física, excesso de peso e tabagismo. Essa estrutura permite analisar, de forma integrada, como o conhecimento se relaciona com práticas e intenções de mudança.

Os dados mostram que o câncer é amplamente conhecido pela população: 99,1% dos brasileiros afirmam conhecer ou já ter ouvido falar da doença. No entanto, cerca de 27% não reconhecem que o câncer pode ser prevenido, evidenciando uma lacuna importante na compreensão da doença. Essa lacuna se reflete também em um reconhecimento desigual dos fatores de risco para o câncer. O tabagismo é amplamente reconhecido como um fator de risco (90,5%), seguido pela herança genética (89,4%) e pela exposição solar excessiva (88,3%). Em contraste, outros fatores relacionados ao estilo de vida apresentam menor reconhecimento, como o excesso de peso (54,1%) e o consumo de carne vermelha (27,5%). Observa-se também que 40,5% da população não reconhece o aleitamento materno como fator de proteção para o câncer, enquanto 61,3% acreditam, de forma equivocada, que o uso de suplementos de vitaminas e minerais reduz o risco de câncer. Em relação à alimentação, observou-se elevado consumo de alimentos ultraprocessados, bebidas adoçadas, carnes vermelhas e carnes processadas. Embora uma parcela relevante da população relate tentativa de redução, ainda há baixa percepção de risco associada a esses produtos.

Quanto à atividade física, pouco mais da metade da população afirma praticá-la, enquanto cerca de 40% dos que não praticam manifestam intenção de iniciar, indicando uma demanda latente por mudança de comportamento.

Os resultados também evidenciam que jovens e pessoas de menor renda apresentam menor nível de conhecimento sobre fatores de risco e maior exposição a comportamentos prejudiciais à saúde. De forma transversal, observa-se que uma parcela significativa da população demonstra intenção de adotar hábitos mais saudáveis, o que aponta para uma oportunidade estratégica para políticas públicas que articulem informação, regulação e promoção de ambientes saudáveis, com foco na redução das desigualdades em saúde. Em relação aos comportamentos, 11,3% da população declarou fumar atualmente e 18,3% se identificaram como ex-fumantes. Apesar do alto reconhecimento do tabagismo como fator de risco, apenas 13,4% dos fumantes ou ex-fumantes relataram ter tido acesso a tratamento para cessação. No que se refere ao consumo de álcool, aproximadamente metade da população (50,1%) afirmou não consumir bebidas alcoólicas. Entre aqueles que consomem, a maioria relata tentativa de redução.