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A dor invisível: lacunas nos dados do SUS sobre dor menstrual e pélvica

As dores menstruais e pélvicas afetam milhões de mulheres e meninas ao longo de suas vidas reprodutivas. No entanto, essas condições são frequentemente negligenciadas nos sistemas de informação em saúde, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil. Essa é uma das principais conclusões de um estudo exploratório apoiado pelo Instituto Alana e conduzido pela Vital Strategies em parceria com o Laboratório FrameNet Brasil da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

A pesquisa analisou dados de mais de 469 mil meninas e mulheres brasileiras com entre 10 e 49 anos de idade atendidas na atenção primária do Recife (PE) ao longo de quase uma década (2016-2025). O estudo analisou dados do e-SUS (atenção primária), do SIH/SUS (sistema de internações hospitalares) e do Sinan (sistema de notificação de violência). Com base nos registros identificados nas bases de dados, as participantes foram classificadas em dois grupos para fins de análise: mulheres com histórico de dor e mulheres sem histórico de dor.

O trabalho, apresentado na 70ª Comissão sobre o Status da Mulher da ONU (CSW70), em Nova York, em março de 2026, lança luz sobre quatro dimensões ainda pouco discutidas na saúde pública brasileira:

  • A invisibilidade dos dados sobre saúde menstrual;
  • As fragilidades dos dados estruturados de registros médicos e de formas tradicionais de análises de dados para identificar questões de saúde menstrual, apontando para a necessidade de abordagens inovadoras;
  • O potencial transformador de novas metodologias baseadas no processamento de textos com inteligência artificial;
  • Quando dor e violência coexistem, os dados apontam para a necessidade de uma abordagem integrada e intersetorial na atenção à saúde das mulheres.