A saúde mental de crianças e adolescentes é uma preocupação crescente no Brasil e no mundo. Globalmente, 8% das crianças e 15% dos adolescentes têm alguma condição de saúde mental, mas a maioria não busca ajuda nem recebe tratamento. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio se tornou a terceira principal causa de morte.
Esse cenário é agravado por diferentes fatores, entre eles a violência e outras experiências adversas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em todo mundo, aproximadamente 1 em cada 2 crianças (entre 2 e 17 anos) sofre algum tipo de violência anualmente, seja abuso físico, sexual ou emocional.
Já no Brasil, o suicídio é a terceira causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos. Além disso, entre 2015 e 2019, as notificações de autolesão entre jovens de 10 a 19 anos cresceram mais de oito vezes no país.
No mesmo contexto, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024 (PeNSE), revelou que entre adolescentes de 13 a 17 anos, 40% relatam ter sofrido bullying no último mês, 21% vivenciaram violência doméstica física e 15% já foram vítimas de abuso sexual. Entre meninas, os indicadores são ainda mais críticos: 41% relatam tristeza frequente, 43% já tiveram vontade de se machucar e 25% afirmam acreditar que a vida não vale a pena.
As evidências mostram um cenário marcado por desigualdades, múltiplas vulnerabilidades e lacunas importantes na promoção, identificação e resposta aos desafios de saúde mental de crianças e adolescentes.
Cerca de metade das condições de saúde mental se manifestam cedo, até os 14 anos. Portanto, as ações de prevenção de adoecimento e de promoção da saúde mental também precisam começar precocemente.
Para enfrentar os desafios relativos à saúde mental de crianças e adolescentes, é necessário ampliar o foco para além do tratamento, incorporando abordagens de promoção da saúde e prevenção do adoecimento, sempre trazendo uma perspectiva intersetorial. Os fatores de risco e proteção estão presentes em diferentes dimensões da vida e do ambiente, como no contexto familiar ou na escola, no território ou comunidade em que criança ou adolescente está inserido, assim como no ambiente digital. Para lidar com esses diversos fatores é preciso produzir, integrar e utilizar dados e evidências de forma robusta, oportuna e capaz de capturar as especificidades de cada território.
É nesse contexto que a Vital Strategies atua, apoiando governos e parceiros no desenvolvimento de soluções baseadas em dados, evidências e inovação para fortalecer políticas públicas e ampliar a capacidade de prevenção do adoecimento, bem como da promoção da saúde mental.
Atuação da Vital Strategies no Brasil
Engajamento com o governo brasileiro
O trabalho da Vital Strategies inclui articulação com o governo, nos níveis municipal, estadual e federal, para promover a saúde mental no país.
Como parte dessa atuação, em 2024 foi realizado um encontro com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para apresentar a abordagem da organização voltada à promoção da saúde mental, que se baseia no uso estratégico de dados para apoiar a formulação de políticas públicas e ações intersetoriais. A reunião reforçou a importância de soluções inovadoras e orientadas por evidências para enfrentar os desafios da saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes.
Painel de Promoção da Saúde Mental Infantojuvenil
Em 2024, foi lançado o Painel de Promoção da Saúde Mental Infantojuvenil na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, com a presença de cerca de 35 parlamentares. A ferramenta online tem como objetivo indicar o quão propício é o ambiente de um território para a promoção da saúde mental de crianças e adolescentes.
O painel consiste em um índice que sintetiza 29 indicadores relacionados a fatores que protegem ou aumentam os riscos de adoecimento mental, com dados georreferenciados que permitem compreender como diferentes características territoriais influenciam a saúde mental infantojuvenil e apoiam a tomada de decisão de gestores públicos.
Com dados de 2019 a 2023, o índice é visualizado em um mapa interativo, que permite analisar resultados nacionais, bem como resultados específicos para as unidades da federação e todos os municípios do Brasil.
Uso de IA para detecção precoce de riscos à saúde
A Vital Strategies Brasil vem desenvolvendo abordagens baseadas em dados e inteligência artificial para aprimorar a detecção precoce de riscos em saúde.
Uma dessas experiências foi realizada no campo da prevenção da violência de gênero, com o uso de uma metodologia que cruza diferentes bases de dados da saúde e incorpora ferramentas de inteligência artificial com análise semântica. Essa solução permite interpretar os campos de texto livre dos prontuários eletrônicos, onde profissionais de saúde registram informações durante as consultas.
A partir dessa abordagem, foi possível identificar que, em média, vítimas de violência de gênero procuram serviços de atenção primária até 90 dias antes de um episódio de violência ser notificado. A análise também apontou uma alta taxa de subnotificação, indicando que entre 70% e 80% dos casos não aparecem nos sistemas oficiais.
Ao expandir essa metodologia para o campo da saúde mental, o modelo detectou uma média de 174 dias entre sinais de ideação suicida e tentativas de autoagressão.
Com base nesses aprendizados, a Vital Strategies está iniciando em 2026, em parceria com as Prefeituras de Recife e do Rio de Janeiro, estratégias de identificação precoce de riscos, com o objetivo de fortalecer a capacidade dos sistemas de saúde de atuar de forma antecipada.
Dados e IA para Promoção da Saúde Mental de Crianças e Adolescentes
A Vital Strategies Brasil está com inscrições abertas para um desafio voltado ao fortalecimento da saúde mental infantojuvenil no país.
O objetivo é fomentar soluções inovadoras e intersetoriais que contribuam para a promoção, proteção, cuidado e monitoramento da saúde mental de crianças e adolescentes no Brasil, por meio do uso responsável de dados e inteligência artificial.
Além do apoio financeiro, as organizações selecionadas participarão de um ciclo de desenvolvimento e de uma comunidade de prática ao longo de 12 meses.
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