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Pesquisa inédita mostra os impactos negativos da pandemia na saúde da população brasileira

Dados nacionais e das cinco regiões do país mostram mudanças de hábitos durante a pandemia que aumentam os riscos de diabetes, câncer e doenças cardiovasculares e respiratórias crónicas.

São Paulo, 27 de abril de 2022 – A pandemia trouxe impactos negativos para a saúde do brasileiro a longo prazo. É o que mostra os dados inéditos do Covitel, Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia. Entre o período pré-pandemia e o 1º trimestre de 2022, houve um aumento de 91,8% entre os brasileiros que avaliam negativamente seu estado de saúde, relatando que está ruim ou muito ruim. Chamam atenção ainda as mudanças na saúde mental, com o diagnóstico de depressão aumentando entre os adultos brasileiros.

Esses são alguns dos achados do Covitel, Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia. Desenvolvida pela Vital Strategies, organização global de saúde pública, e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a partir da articulação e financiamento da Umane, a pesquisa teve ainda cofinanciamento do Instituto Ibirapitanga e apoio da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

No Brasil, cerca de 70% das mortes são causadas por consequências das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e seus agravos.  “O Covitel surgiu para contribuir com a construção de conhecimento sobre a influência da Covid-19 nos fatores de risco que levam ao aumento das prevalências de câncer, diabetes e doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas”, explica Thais Junqueira, Superintendente Geral da Umane.

Ao todo, nove mil brasileiros, de capitais e cidades do interior das cinco regiões do Brasil, foram entrevistados por telefone (fixo e celular) entre janeiro e março de 2022. O questionário trazia perguntas sobre percepção geral de saúde, prática de atividade física, hábitos alimentares, saúde mental e prevalência de hipertensão arterial e diabetes, além de consumo de álcool e de tabaco.  Os entrevistados também forneciam informações sobre gênero, faixa etária, raça, escolaridade e situação de trabalho.

Os entrevistados ainda foram questionados sobre seus hábitos em dois períodos: o pré-pandemia de Covid-19 e o primeiro trimestre de 2022, quando as entrevistas foram realizadas e as vacinas contra a Covid-19 já estavam amplamente disponíveis. Com isso, é possível fazer uma comparação entre os dois momentos.

Entre os principais achados estão:

  • Entre o período pré-pandemia e o 1º trimestre de 2022, houve um aumento de 91,8% entre os brasileiros que avaliam negativamente seu estado de saúde, relatando que está ruim ou muito ruim.
  • Consumo de verduras e legumes cinco vezes por semana ou mais caiu 12,5%, saindo de 45,1% no período pré-pandemia para 39,5% no 1º trimestre de 2022.
  • O que também diminui foi a prática de atividade física, com redução de 21,4% na proporção de pessoas que cumprem o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • O diagnóstico médico da depressão aumentou em 41% entre o período pré-pandémico e o primeiro trimestre de 2022. Os maiores aumentos verificaram-se entre as mulheres, 39,3%, e nas pessoas com maior escolaridade (12 anos ou mais de estudo), 53,8%.

O inquérito fez ainda perguntas que se referiam apenas a condição de saúde e hábitos no período das entrevistas, no 1º trimestre de 2022, sem comparar com o pré-pandemia. Entre os destaques estão:

  • 20,6% dos brasileiros haviam consumido álcool de maneira abusiva no mês anterior a entrevista por telefone (quatro doses ou mais para mulheres e cinco doses ou mais para homens).
  • Também chama atenção a parcela da população com excesso de peso: 52,6% das pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior a 25 kg/m².  

 “O Covitel mostrou que a pandemia atrapalhou o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil, aumentando alguns comportamentos de risco, como a inatividade física”, reforça Pedro Hallal, professor titular da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e um dos coordenadores da pesquisa. “A redução da prática de pelo menos 150 minutos de atividade de intensidade moderada por semana aconteceu ao mesmo tempo em que os hábitos alimentares pioraram, com a diminuição do consumo de verduras e legumes, por exemplo. O único destaque positivo com relação a alimentação foi a redução de consumo de refrigerantes e sucos artificiais, que caiu 25,4% no Brasil”, acrescenta Hallal.

Também chamam atenção os indicadores relacionados a prevalência de diagnóstico médico confirmado para hipertensão e diabetes. Ente os períodos comparados na pesquisa, não houve aumento estatisticamente significativo. No entanto, ao contrário do que possa parecer, isso não é necessariamente uma notícia boa. “Essa estabilidade pode estar vinculada ao menor acesso a diagnóstico médico no período de isolamento social, quando as pessoas deixaram de procurar os serviços de saúde, prejudicando, consequentemente, os tratamentos oportunos para essas importantes questões de saúde”, explica Luciana Sardinha, Assessoria Técnica de Saúde Pública e Epidemiologia da Vital Strategies e uma das coordenadoras do estudo. 

O Covitel trouxe indicativos de como a pandemia agravou as desigualdades em saúde. Entre os 12 indicadores que tiveram mudanças estatisticamente significativas para o Brasil, o grupo de pessoas que perdeu o trabalho durante a pandemia teve os piores resultados em oito deles. Quando o enfoque é a Covid-19, as discrepâncias também ficam evidentes. Enquanto 94,4% das pessoas com maior escolaridade (12 anos ou mais de estudo) tinham completado o esquema vacinal no 1º trimestre de 2022, apenas 76,9% daqueles com menor escolaridade (0 a 8 anos de estudo) tinham tomado todas as doses recomendadas. 

Os idealizadores da pesquisa lembram que as doenças crônicas não transmissíveis, em grande medida, são evitáveis. “Dados como os trazidos pelo Covitel são fundamentais para a vigilância em saúde, orientando as prioridades, o planejamento e ações relacionadas às políticas públicas de saúde”, afirma Pedro de Paula, Diretor Executivo da Vital Strategies. “Precisamos investir em uma agenda baseada em dados, trabalho conjunto, enfrentamento de desigualdades e, claro, combate às doenças crônicas não transmissíveis. Com inteligência em saúde pública, prevenimos doenças, promovemos a qualidade de vida e, principalmente, salvamos vidas. Isso ao mesmo tempo em que otimizamos recursos, reduzindo os custos destinados a tratamentos e consequências da perda da produtividade de uma população adoecida”, acrescenta.    

Para os dados completo acesse: http://observatoriodaaps.com.br/

Sobre a Vital Strategies

A Vital Strategies é uma organização global de saúde que acredita que todas as pessoas devem ser protegidas por um forte sistema de saúde pública. Trabalha com governos e a sociedade civil em 73 países, incluindo o Brasil, para projetar e implementar estratégias baseadas em evidências que abordam seus maiores desafios de saúde. O objetivo é ver os governos adotarem intervenções promissoras e em escala, o mais rápido possível. Para saber mais, visite www.vitalstrategies.org.

Sobre a UFPel

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é uma instituição brasileira de ensino superior cujos campi se localizam nas cidades de Pelotas e Capão do Leão, no Rio Grande do Sul. Oferece atualmente 99 cursos de graduação, 39 cursos de mestrado e 16 de doutorado distribuídos em 20 unidades acadêmicas (6 Institutos Básicos, 12 Faculdades, 1 Escola Superior de Educação Física e 1 Conservatório de Música). Atualmente, a UFPel possui cursos de mestrado e/ou doutorado em todas as áreas do conhecimento: Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas, Engenharias, Ciências Agrárias, Ciências da Saúde, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes, contando também com cursos com atuação Multidisciplinar.

Sobre a Umane

A Umane é uma associação civil sem fins lucrativos dedicada a apoiar, desenvolver e acelerar iniciativas de prevenção de doenças e promoção à saúde, no âmbito da saúde pública, com os objetivos de contribuir para um sistema de saúde mais resolutivo e melhorar a qualidade de vida da população brasileira.

Sobre o Instituto Ibirapitanga

O Instituto Ibirapitanga é uma organização dedicada à defesa de liberdades e ao aprofundamento da democracia no Brasil. Desde 2017, apoia iniciativas a partir de seus dois programas — Equidade racial e Sistemas alimentares. Por meio de doações, o Instituto apoia organizações, movimentos e coletivos da sociedade civil brasileira que desejam produzir transformações estruturais positivas no país. Fundado pelo cineasta Walter Salles, o Ibirapitanga opera com recursos próprios a partir dos rendimentos de um fundo patrimonial.